terça-feira, 22 de agosto de 2017

A lei corrompida, por Chris Hedges

21/8/2017, Chris Hedges, Truthdig












ISLE AU HAUT, Maine – Tomo café da manhã numa mesa de carvalho esculpida, que pertenceu a Harlan Fiske Stone, juiz da Suprema Corte dos EUA de 1925 a 1946 e Juiz Presidente durante os últimos cinco daqueles anos. Stone e sua família passavam os verões nessa ilha remota e ventosa, a dez quilômetros da costa do Maine.

Stone, Republicano e amigo próximo de Calvin Coolidge e Herbert Hoover, corporificou uma era perdida da política dos EUA. O seu conservadorismo, fundado na crença de que a lei é feita para proteger os pobres contra os ataques dos poderosos, em nada se assemelha ao daqueles autoproclamados "constitucionalistas estritos" na Federalist Society, que acumularam tremendo poder no judiciário. Uma Federalist Society, por ordens do presidente Trump, está encarregada de aprovar os 108 candidatos à suprema magistratura do país a serem indicados pelo atual governo. O juiz recentemente nomeado por Trump, Neil Gorsuch, é membro da Federalist Society, como também o são os juízes Clarence Thomas, John Roberts e Samuel Alito.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

"Adultos" versus "Ideólogos"? Narrativa 'da mídia' sobre a Casa Branca pode estar toda errada

19/8/2017, Moon of Alabama (Com atualização, abaixo)











Os Democratas e a 'mídia' amam os generais do Pentágono na Casa Branca. São os "adultos":

Sen. Sheldon Whitehouse (Democrata de Rhode Island) elogiou Donald Trump por ter escolhido o novo Conselheiro de Segurança Nacional –, chamando o respeitado militar de "adulto provado e certificado".


De acordo com a narrativa dominante, os "adultos" opor-se-iam aos "ideólogos" que cercam o principal assessor de Trump, Steve Bannon. E Bannon é contagioso, segundo Jeet Heer, uma vez que está convertendo Trump num ideólogo etnonacionalista. Uma recente entrevista curta com Bannon desqualifica essa narrativa.

Quem é mentalmente são e quem é maluco, digamos, sobre a Coreia do Norte?

O "adulto" general McMaster, Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, não está entre os sãos. Diz que não há como impedir a Coreia de fazer alguma coisa realmente insana.

Elites divorciadas da realidade: Mais um "Mas e se..?" de The Economist



"Descobri the Economist no final dos anos 80s, na época de Reagan. Era muito boa. O declínio começou em 1995 (...). Em 2002, já não era nem sombra do que fora. Parei de ler definitivamente em 03, 04 e nunca mais li The Economist. Pelo visto, piorou ainda mais".
(Abelard Lindsey, em Comentários)










As elites globalistas ocidentais até hoje não engoliram a vitória de Trump ou o Brexit. Estão padecendo, obrigadas a lidar com os próprios fracassos ideológicos, e quando a realidade atreve-se a não satisfazer os delírios daquelas elites, elas vão para a internet & e inventam um mundo paralelo, onde suas previsões 'de especialistas' sempre se confirmam e os seus fracassos não podem ser questionados. [No caso do Brasil-2017-E-Golpe, as elites globalistas vão muito mais frequentemente para os principais veículos das mais tradicionais grandes empresas de mídia e 'kumunicação', chamada aqui 'imprensa' falada, escrita e televisionada (NTs)]

O portal "Mas... e se?" de The Economist, câmara de eco neoliberal de pensamento desejante-delirante [ing. wishful thinking] é exatamente isso.

Na peça mais recente ali publicada, atribuem-se poderes mágicos ao novo herói das elites, Emmanuel Macron, que tão impressionantemente derrotou em maio o mal encarnado em Marine Le Pen. Para The Economist (1)Macron é praticamente um neo-Jesus. Correspondentemente, o rapaz é apresentado andando sobre as águas, na capa da edição desse mês.

domingo, 20 de agosto de 2017

EUA efetua o primeiro disparo na Guerra comercial contra a China.

 20.08.2017, Peter Korzun - Strategic Culture



tradução de btpsilveira







Enquanto a atenção do mundo está focada na Coreia do Norte e seu programa de mísseis nucleares, outra guerra está começando. A primeira salva de disparos dessa guerra aconteceu em 14 de agosto, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorizou um inquérito sobre as alegações de que Pequim estaria roubando propriedade intelectual infringindo a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Trata-se da primeira medida comercial concreta da atual administração contra a China.

Washington acredita que as companhias (norte)americanas operando no Império Celestial são pressionadas a partilhar propriedade intelectual se quiserem ter acesso à economia chinesa. O empresariado (norte)americano é sempre forçado a criar joint ventures com parceiros chineses, entregando assim valiosos ativos tecnológicos. “Enfrentaremos qualquer país que ilegalmente force as companhias (norte)americanas a transferir sua valiosa tecnologia como condição de acesso a qualquer mercado. Combateremos as falsificações e a pirataria que destrói os empregos nos Estados Unidos” afirmou o presidente.

EUA é barco sem rumo, agora que Trump demitiu o piloto

19/8/2017, Moon of Alabama













"O governo Trump pelo qual nós lutamos e vencemos, está acabado"– disse Bannon na 6ª-feira, logo depois de confirmar sua saída. – "Ainda temos um grande movimento, e alguma coisa faremos desse governo Trump. Mas o governo de antes, aquele, está acabado."

Bannon era o homem de "Fazer os EUA grandes outra vez" [ing. "Make America Great Again"] na Casa Branca. O estrategista que detinha as ideias populares que trouxeram os votos que elegeram Trump. Empregos, empregos, empregos, investimento em infraestrutura, limites à imigração, impostos sobre os globalistas – eis a causa pela qual Bannon combate.


Imagem: Desembarcar o piloto Punch 1890

Trump não é nenhum jovem imperador alemão, e Bannon é nenhum chanceler Bismark. (Ambos, provavelmente, adorariam esses papéis.) Mas com Bannon fora, o governo Trump está perdendo seu estrategista chefe, a pessoa que fixava as prioridades e poderia fixar uma rota alternativa para o barco do Estado sob comando de Trump.


A manchete racista de Huffington Post implica que Bannon preferiu priorizar o país errado.

Bannon O Bárbaro, agora 'termonuclear', por Pepe Escobar

19/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews














"Bannon O Bárbaro e sua guerrilha termonuclear contra a junta militar que hoje controla a Casa Branca. 
Essa afinal é guerra que se pode levar a sério." 
Pepe Escobar 20/8/2017, Facebook

"Estou deixando a Casa Branca e vou à guerra por Trump contra os adversários dele – no Capitólio, na mídia e nos EUA empresariais."

Eis o que disse o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steve Bannon, pelo telefone, ao homem que escreveu o livro sobre como Bannon/Maquiavel realmente conquistou a Casa Branca para O Príncipe, Donald Trump.

Imediatamente depois de sair, Bannon já avisou a Av. [Perimetral Interestadual] Beltway – e o mundo – "que esse governo acabou. Será outra coisa. E haverá todos os tipos de lutas, e haverá dias bons e dias ruins. Mas esse governo acabou."

O "novo" governo dos EUA está de fato subordinado a uma tríade: generais do Pentágono; a família Trump ; e Goldman Sachs/Wall Street (Menos regulações! Menos taxas! Está chovendo grana, Aleluia!).

Bannon acrescentou que volta a tomar posse de suas "armas": "Construí uma máquina muito foda em Breitbart. E agora estou voltando, sabendo o que agora sei, e vamos acelerar aquela máquina. Se digo que vamos acelerá-la, é que vamos acelerá-la."

Assim, o Maquiavel Leninista deixa agora O Charco, para trabalhar em seu elemento preferido: lá fora, nas trincheiras da selva. Podem começar a esperar, porque o mundo virá abaixo.

A hipocrisia das lágrimas por Barcelona, por Peter Koenig

19.08.2017, Peter Koenig - The Vineyard of the Saker



tradução de btpsilveira









Barcelona, dia 17 de agosto, 17h00 – Uma van branca avança a 70 km/hora diretamente contra de uma massa de pedestres, a maioria turistas, na famosa Rambla, no coração de Barcelona. O total de mortos, 13, além de mais de 100 feridos. Nos eventos paralelos, a polícia matou um dos alegados perpetradores do atentado. O principal suspeito fugiu e ainda estaria foragido. Estaria mesmo? – Talvez ele também já esteja morto.
Em todos os atentados recentes com carros foram utilizadas vans brancas. Será que isso significa alguma coisa? Talvez não. Mais importante que isso é que o Estado Islâmico já reivindicou responsabilidade, através de sua agência de notícias, Amaq, que então, foi repetida pela mídia presstituta. Mais alguém checou, além da imprensa corporativa? – Provavelmente não. Mas não importa. Quando o Estado Islâmico reivindica responsabilidade, instantaneamente os corações e mentes se quedam tranquilos. Os culpados foram encontrados. São sempre aqueles sanguinários jihadistas islâmicos. Podemos descansar em paz. E segue a vida…

sábado, 19 de agosto de 2017

Empurrados pelos neocons, EUA e o mundo caminham para uma crise perigosa

18.08.2017, The Saker - The Vineyard of the Saker



tradução de btpsilveira








Primeiro, o que escrevi no muro

Em outubro do ano passado escrevi uma análise denominada Os EUA estão prestes a encarar a pior crise de sua história e como o exemplo de Putin pode inspirar Trump e penso que está na hora de revisitá-la. Comecei aquele artigo analisando as calamidades que poderiam recair sobre os Estados Unidos se Hillary fosse eleita. Desde que isso não aconteceu (graças a Deus!), podemos ignorar essa parte com segurança e partir para minhas predições do que poderia acontecer se Trump fosse eleito. Eis o que escrevi:

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Pepe Escobar: E os vencedores na era pós-Daech são...

O caso de amor entre a Casa de Saud e o líder iraquiano nacionalista Muqtada al-Sadr revela o desespero dos sauditas depois da miserável derrota na Síria e de uma mudança para se opor ao Irã em Bagdá, em vez de se opor a Damasco.



18/8/2017, Pepe Escobar, Asia Times










O líder xiita Muqtada al-Sadr reúne-se com o príncipe coroado da Arábia Saudita Mohammed bin Salman em Jedá, Arábia Saudita, dia 20/7/2017. Foto: Reuters via Bandar Algaloud/Cortesia da Real Corte Saudita

Muqtada al-Sadr está aprontando alguma. No Iraque ocupado de 2004, o líder nacionalista que adiante construiu o movimento Sadrista chegava a ser demonizado como inimigo número 1 dos EUA – destronando rapidamente Osama bin Laden. Agora está sendo pintado – pelos bajuladores de Wahhabistas de sempre – como uma espécie de Reconciliador.

Mês passado, al-Sadr voou para Jedá para encontrar o príncipe coroado Mohammed bin Salman, codinome MBS, o destruidor saudita do Iêmen. Isso, apenas um ano depois de al-Sadr convocar protestos à frente da embaixada de Riad em Bagdá pela execução do importante clérigo xiita Nimr al-Nimr.

Há poucos dias, al-Sadr voou para Abu Dhabi para se encontrar com o príncipe coroado Mohammed bin Zayed Al Nahyan – nada mais nada menos que o mentor de MBS.

Steve Bannon não se arrepende nem se dobra

16/8/2017, Robert Kuttner, The American Prospect (sobre o veículo, aqui)














Você talvez suponha, pelo que tenha lido nos veículos da mídia-empresa nos EUA, que Steve Bannon estaria nas cordas, semidestruído e, porisso, agindo com mais cautela. Ainda há poucos dias, logo depois dos eventos em Charlottesville, ele estava sendo culpado pela insistente indulgência de Trump para com os brancos suprematistas. Aliados de HR McMaster, conselheiro de Segurança Nacional, declararam Bannon responsável por uma campanha de Breitbart News, do qual Bannon foi diretor, para demonizar o chefe da Segurança dos EUA. Na conferência com a imprensa na 3ª-feira, Trump defendeu Bannon, mas foi defesa morna, no máximo.

Pois Bannon parecia estar em excelente estado de espírito quando me telefonou, na 3ª-feira à tarde, para discutir a política de adotar linha mais dura contra a China, e não mediu palavras para expor os esforços que tem empreendido para neutralizar seus rivais no Departamento de Estado, da Defesa e do Tesouro. "Estão mijando nas calças" – disse ele, passando a detalhar o que faria para tirar do caminho alguns de seus oponentes no [Departamento de] Estado e na Defesa.

Neoliberais e neoconservadores norte-americanos são muito, muito, muito mais perigosos que a extrema direita

13/8/2017, Adam Garrie, The Duran



Os que pregam guerra violenta, ilegal, imoral e cruel não têm em que se apoiar para criticar qualquer outra causa.










A mídia-empresa liberal norte-americana hegemônica acolheu uma história que começou em Al-Jazeera veículo estatal de propaganda do Qatar e que tenta associar a extrema direita norte-americana, às vezes chamada "Alt-right"[1], e o presidente sírio Bashar al-Assad e seu Partido Socialista Árabe Ba’ath.

Como escrevi ontem em The Duran,

"Para começar, Bashar al-Assad é socialista. É membro do partido governante na Síria, o Partido Socialista Árabe Ba’ath. Embora a chave esteja na denominação do partido, é útil compreender melhor as origens intelectuais do Ba’athismo.

Os três principais fundadores do Baa'thismo, Salah al-Din al-Bitar, Zaki al-Arsuzi e Michel Aflaq eram todos árabes sírios, Aflaq era árabe cristão com Salah, e al-Arsuzi era muçulmano. Na essência, o Ba’athismo combina valores culturais árabes tradicionais com o conceito anti-imperialista do nacionalismo árabe, acolhendo as ideias do socialismo tradicional como um escudo contra a agressão imperialista e como meio para permitir que povos pós-coloniais elevem com eficiência e rapidez a própria independência econômica.

História de Charlottesville foi escrita em sangue na Ucrânia

17/7/2017, Ajamu BarakaCounterpunch










Qual o traço mais marcante da política da direita racista nos EUA hoje? É a atividade dos suprematistas ensandecidos que se atiram contra uma manifestação antifascistas em Charlottesville, VA, ou a garantia, que lhes dá Lindsay Graham de que um ataque contra a Coreia do Norte até pode resultar em milhares de mortos... mas são mortos "do lado de lá"? 

E o que dizer da decisão unânime das duas casas do Congresso, de apoio a Israel e crítica à ONU, que teria posição enviesada contra Israel? 

Será que essas ações também são denunciadas como racistas e de extrema direita, dado que, como se sabe, o sofrimento dos palestinos não tira o sono de ninguém nessa parte do mundo?

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estado Social de Bem-estar Um alicerce, não uma rede

15/8/2017, Matt Bruenig, Jacobin Magazine











Um Estado Social de Bem-estar é mais que apenas uma rede de segurança. É um alicerce sobre o qual as pessoas podem construir a vida.

Rede de segurança. Rede de segurança. Rede de segurança. Aparentemente essa é a única metáfora que circula para descrever o estado de bem-estar, pelo menos no discurso político norte-americano. Cada político liberal, cada think-tank liberal e todos os especialistas liberais parecem jamais se cansar do eufemismo, mesmo que ceda tão rapidamente à metáfora conservadora igualmente chocante da rede de dormir [rede da preguiça] do Bem-estar [ing. welfare hammock].

Apesar da popularidade, a metáfora da rede de segurança sempre me chama atenção, como no mínimo muito confusa; e no máximo como indicativa de más políticas de bem-estar social. A mensagem da rede de segurança é que todos precisamos de amparo quando caímos, o que, claro, é verdade. Mas o papel de um bom estado de bem-estar social é precisamente proteger contra catástrofes, e muitos benefícios do bem-estar não são sequer usados para aquele fim.

O real significado da ameaça da Coreia do Norte à Ilha de Guam

15.08.2017, Richard Parker - Politico Magazine / GGN

Kim Jong-un sabia o que estava dizendo quando ameaçou atacar a Ilha de Guam. Antes que mero blefe na escalada de hostilidades verbais entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a declaração agressiva do líder norte-coreano mirava o calcanhar logístico das forças militares norte-americanas no Pacífico, como se dissesse: “nós conhecemos muito bem os seus pontos nevrálgicos, e eles estão ao nosso alcance de tiro”.



Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel





Numa tarde úmida de maio na base de Anderson da Força Aérea, na Ilha de Guam, o tráfego aéreo militar parece convergir de todas as partes: [bombardeiros - NT] cinzentos B-52, vindos da Dakota do Norte; KC-130 [Hércules de abastecimento - NT], vindos da Pensilvânia; e C-130 [Hércules de transporte - NT], vindos da Coréia do Sul.
As instruções da torre alertam os pilotos para iniciar sua aproximação a não menos de 60 metros, evitando as áreas de nidificação dos corvos durante a época de reprodução, a ter cuidado com as pistas escorregadias e com travagens intermitentes após o pouso. E, em seguida, vem o sinal padronizado: “Cuidado: tenha extrema atenção quanto ao uso extensivo de aeronaves não tripuladas nas vizinhanças da base aérea da Anderson!”.
À medida que os B-52 começam a aterrissar na pista de 3.350 metros conhecida como 24-Esquerda, um [drone - NT] Global Hawk cinzento [de 40 metros de envergadura], com sensores eletro-ópticos, se prepara na pista 6-Direita, exatamente às 2:30 da tarde. Sua missão é sigilosa, o avião-robô acelera seu motor a jato para taxiar e ganhar velocidade para o início de sua missão de espionagem de 24 horas sobre 5.600 quilômetros de oceano azul do Pacífico.
Essa é a base de Anderson, da Força Aérea dos Estados Unidos, um dos postos militares mais movimentados do mundo ― e um lugar que Kim Jong-un, o jovem rei eremita da Coréia do Norte, quer mandar para os ares. Esse não é apenas um ponto distante no mapa, um troféu colonial esquecido, expropriado durante a Guerra Hispano-Americana [de 1898, que, a pretexto de apoiar o movimento independentista de Cuba, arrebatou para os Estados Unidos o controle não só de Cuba como também de Porto Rico e Filipinas, além de vários outros territórios insulares no Caribe e no Pacífico, e determinou o colapso do Império Colonial Espanhol]. Guam é também um pilar do império global norte-americano, e Kim Jong-un ― com todos seus adereços bufônicos, do cabelo à la Macklemore [o rapper Ben Haggerty] à sua pança proeminente, que lhe dão um jeitão de vilão de estória em quadrinhos ― sabe que arrebatá-lo seria um triunfo para a posteridade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Como evitar uma guerra nuclear: Porque a estratégia de Kim Jong-un faz sentido, por Federico Pieraccini

11.08.2017, Federico Pieraccini - Strategic Culture



Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia (nome correto do país) está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.


tradução de btpsilveira






Nas últimas quatro semanas a Coreia do Norte aparentemente já conseguiu completar a segunda fase de sua estratégia contra a Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. O programa nuclear norte coreano parece ter alcançado uma fase importante, com dois testes levados a efeito no início e no final de julho. Ambos os mísseis aparentam ser capazes de atingir o território (norte)americano, embora ainda haja dúvidas da capacidade de Pyongyang para miniaturizar uma bomba nuclear a ser montada em seu míssil balístico intercontinental (ICBM). Portanto, a forma tomada pelo programa nuclear do país assegura uma estratégia de contenção importante contra o Japão e a Coreia do Sul e até, em alguns aspectos, contra os Estados Unidos, o qual permanece como a principal razão do desenvolvimento de ICBMs pela Coreia do Norte. Há exemplos repetidos na história recente que demonstram a insensatez de confiar no ocidente (o destino de Kaddafi ainda está fresco em nossas memórias), e sugere ao invés disso a sabedoria da construção de um arsenal que represente um alto nível dissuasivo contra a belicosidade daquele país. Não é nenhum mistério que de 2009 até agora, a capacidade nuclear da Coreia do Norte cresceu na proporção direta ao nível de desconfiança exibido por Pyongyang em relação ao ocidente.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Moon of Alabama: Promover a RPDC, para relançar a Guerra nas Estrelas de Reagan?

14/8/2017, Moon of Alabama











Desde que Trump fez ameaças de "fogo e fúria" contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), passou a haver certa sanidade entre as autoridades. A conversa sobre ataques preventivos contra a RPDC entre a comunidade dos entendidos praticamente acabou. Jamais houve qualquer possibilidade séria. A Coreia do Norte tem muitas opções para retaliar contra qualquer ataque e todas virão acompanhadas de danos catastróficos à Coreia do Sul e ao Japão e, portanto, aos interesses dos EUA na Ásia.

A Coreia do Norte (RPDC) pode ser contida com sucesso do mesmo modo que todos os demais estados nucleares são contidos e não usam os respectivos arsenais nucleares. Infelizmente, o Conselheiro para Assuntos de Segurança Nacional dos EUA McMaster ainda não recebeu essa mensagem:

EUA querem terceirizar a guerra do Afeganistão para empresas militares privadas.

Fugindo da responsabilidade de uma missão fracassada



11.08.2017, Andrei Akulov - Strategic Culture


tradução de btpsilveira






Até agora, o presidente Donald Trump não teve sucesso em apresentar uma política coerente para o Afeganistão. Ele está frustrado com assessores e comandantes militares, entre os quais o General John Nicholson, que comanda as forças (norte)americanas no país conflagrado.

Com tanto cozinheiros na beira do fogão, alguns estão advogando por um papel extremamente limitado dos Estados Unidos na Guerra, enquanto outros pressionam por um aumento de vários milhares de tropas (norte)americanas no terreno. Trump já é o terceiro Supremo Comandante-em-Chefe que tenta vencer a mais longa guerra da história dos EUA, em vão. Depois de dezesseis anos de esforço constante, ainda não há luz no fim do túnel. Esperava-se por uma nova estratégia que deveria ser entregue em julho. Não foi, enquanto debates intermináveis sobre o que fazer continuam.
Os Estados Unidos já gastaram, até agora, mais de 800 bilhões de dólares no conflito, embora alguns analistas digam que o custo real estaria na casa dos trilhões. Durante a campanha eleitoral, o candidato Trump descreveu a Guerra no Afeganistão como um “desperdício total”. Já aconteceram mais de 2.400 mortes entre os militares dos EUA e mais de 20 mil foram feridos. A produção de ópio cresceu 43% de 2015 para 2016 e a tendência tem sido ascendente desde 2001. As Nações Unidas acreditam que o Afeganistão permanece sendo um dos mais perigosos e mais violentos países em crise no planeta.