sábado, 11 de fevereiro de 2017

Pepe Escobar: Andrew Jackson Trump dará corpo à Doutrina Bannon?

09/02/2017, Pepe Escobar, SputnikNews














Nos recônditos profundos da Trumpologia – a nova disciplina infestada de 'especialistas', todos tentando decodificar o novo governo norte-americano – tornou-se moda zombar do estrategista chefe da Casa Branca Steve Bannon, como se se tratasse de criatura sociopata do pântano estilo Jurassic Park, um "quase-fascista" comparável a islamofascistas.

(Mesmo que Bannon só metaforicamente opere como degolador em chefe.)

Descartar Bannon como se fosse uma espécie de Maquiavel/Richelieu remixado para o século 21 que veste calças cobertas de bolsos e gravatas estranhíssimas é resposta barata, de adolescente entediado. Kelyanne Conway pode até ser "especialista em luta-de-faca, com palavras"; Jared Kushner pode até ter tomado a linha D do trem dos negócios imobiliários em Manhattan para vir fazer-se de secretário de Estado 'sombra', com cadeira cativa na sala de situação. Mas o homem a estudar nos detalhes mais excruciantes tem de ser Bannon, que devora ensaios de história e teoria política de café da manhã. Quem quiser descartá-lo que o descarte. E pague o preço.

União Europeia: Os Próximos Anos

10/02/2017, Leonid SavinKatehon












Depois do Brexit e do significativo avanço da influência dos eurocéticos e os populistas na Europa, o futuro da União Europeia parece que vai deixando de ser problema. Mas fato é que o futuro permanece aberto e, portanto, há mais de um cenário possível.

O Conselho de Inteligência Nacional dos EUA propõe três opções para o desenvolvimento dessa situação: duas negativas e uma positiva.

Atentas a Trump, Rússia e China reforçam a aliança

09/01/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










Não culpem os russos se já tiverem começado a dar sinais de agudo mal-estar, com a impressão de que o governo Donald Trump serve-se deles, enquanto monta a própria jogada para recuperar terreno que os EUA perderam para Moscou nos anos recentes, na dinâmica global do poder.

O punhal que Trump enfiou no coração da aliança Rússia-Turquia-Irã deve ter sido como uma revelação para Moscou – recordando ao presidente Erdogan os charmes de sua olvidada identidade OTAN. (Sobre isso também em Trump hails Turkey as strategic partner, NATO ally.)

Trump aparentemente está reexaminando a velha agenda de 'mudança de regime' na Síria. Mike Pompeo, chefão da CIA, pousou hoje cedo em Ankara. A estratégia dos EUA visa a quebrar o eixo russos-turcos-iranianos na Síria. É o que explica o tsunami de hostilidade contra o Irã.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Era da ira, por Pepe Escobar

7/2/2017, Pepe Escobar, Counterpunch












Vez ou outra, depois de (longo) intervalo, surge um livro que rompe a visão de uma época [orig. al. zeitgeist], iluminando à volta como um diamante enlouquecido. Age of Anger [lit. "era da ira"], de Pankaj Mishra, autor do também seminal From the Ruins of Empire [lit. Das Ruínas do Império], pode perfeitamente ser o mais recente avatar.

Pense nesse livro como a mais moderna arma (conceitual) letal, nos corações e mentes de uma Terra Arrasada [ing. wasteland] Adolescente cosmopolita sem raízes desesperada para encontrar sua real vocação, enquanto rastejamos pela mais longa – o Pentágono diria: pela infinita guerra– das guerras mundiais: uma guerra civil global (a qual, em meu livro Globalistan, de 2007, chamei de "Liquid War" ["guerra líquida]).

Mishra, autêntico produto de Oriente-encontra-Ocidente, argumenta, em essência, que é impossível compreender o presente, se não reconhecemos a subterrânea nostalgia da saudade de casa [ing. subterranean homesick blues] sempre a contradizer o ideal do liberalismo cosmopolita — a "sociedade comercial universal dos indivíduos racionais autointeressados" conceptualizada pela primeira vez pelo Iluminismo via Montesquieu, Adam Smith, Voltaire e Kant.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Chefe da Quadrilha, por Leandro Fortes

08.02.2017, Leandro Fortes, Facebook






Foi Michel Temer, diz Eduardo Cunha, que comandou as nomeações do bando que estava saqueando a Petrobras.

Nem Dilma, nem Lula.

Mas Michel Temer, esse que aí está usurpando a Presidência da República.

Recorro, então, à sabedoria eterna de Dona Marisa Letícia Lula da Silva, e referendo a recomendação que em tão boa hora ela fez aos paneleiros de verde-e-amarelo: enfiem as panelas no cu.

E saiam de mansinho.



A elite brasileira suicida-se, por Ruben Bauer Naveira

08.02.2017, Ruben Bauer Naveira, Jornal GGN





Nós vamos, um dia, amadurecer como povo e realizar nossa potencialidade. 
E vamos então varrer a canalha” (Darcy Ribeiro)








Essa frase curta, “a elite brasileira suicida-se”, contém dois erros.
Primeiro: jamais houve elite neste país. O que temos aqui não passa de uma classe dominante que, por preguiça intelectual, volta e meia é chamada de elite – conceito que, em qualquer país, diz respeito a um extrato social que avoca para si a responsabilidade de traçar o destino da sua nação e fazê-lo cumprir. Nunca houve nada assim no Brasil, lugar em que os horizontes da classe dominante não passam da acumulação predatória e do consumo ostentatório.
Segundo: no curto prazo, a classe dominante não corre risco de morte. Não há então nenhum suicídio iminente. Será, porém, no médio-longo prazo, que a classe dominante brasileira acabará por perceber, da pior maneira possível, que terá sido a sua própria natureza que lhe terá conduzido a seu fim.
Darcy Ribeiro sonhou com um povo que, por tomada de consciência, completava o seu processo de formação. O que ele não podia imaginar era que tal salto seria induzido de forma tão paradoxal, pela inconsequência da própria classe dominante. Mesmo que ainda demore muitos anos, o ponto-de-não-retorno foi ultrapassado, é então questão de tempo.
Antes de mais nada, nenhum país vive sem instituições, e as nossas se inviabilizam a olhos vistos. Instituições que, historicamente, foram construídas segundo os interesses da classe dominante: Charles Darwin, em sua estada no Brasil em 1832, registrou, repugnado, que “não importa a monta das acusações que possam pesar contra um homem de posses, é certo que em pouco tempo ele estará livre”.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O silêncio ensurdecedor da hipocrisia, por Sergio Saraiva

05.02.2017, Sergio Saraiva, Jornal GGN



Vivemos tempos de tal hipocrisia que a manchete de ontem não pode ser confrontada com a de hoje. Destruiria a reputação de jornais e de próceres do Judiciário. Mas quem se importa?



As manchetes acima em relação à nomeação de Lula para ministro em março de 2016 – parece que foi no século passado – e as não manchetes em relação à nomeação de Moreira Franco em fevereiro de 2017 formam um capítulo à parte na história da hipocrisia.


Onde estão agora Gilmar e Janot?